quarta-feira, 25 de abril de 2012

Julgaremos os anjos?


“Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos? Quanto mais as coisas pertencentes a esta vida?” 1 Coríntios 6.3

Interessante esse texto do apóstolo Paulo, quando aparava arestas que haviam surgido na igreja de Corinto. É bom lembrar que essa era uma importante cidade grega, capital da Acaia e, iminentemente imersa no paganismo e, consequentemente, na imoralidade de todas as ordens, principalmente a sexual. Daí a dificuldade em colocar essa igreja no caminho correto segundo a Palavra.

A nossa idéia com esse texto não é debater questões morais; mas sim, uma afirmação concernente à nossa autoridade no porvir, que tem sido negligenciada por muitos exegetas; parte por a considerar algo de menor importância (como se no Reino de Deus houvesse algo desimportante); parte por não se interessarem no estudo dessa realidade bíblica e espiritual.

Por ser um assunto grandemente polêmico, desejamos, lançar luzes e suscitar o debate a respeito do tema. Julgaremos os anjos? 

Quais, se fomos feitos pouco menores do que eles (Salmo 8.5)? A ideia é escrever sem forçar nenhum texto bíblico, sem a tentativa de incutir conceitos oportunistas na mente de quem quer que seja. Deus conhece o coração de cada um e, não ficará impune aquele que induzir a erro o seu irmão.

Poderiam os salvos julgar os anjos do Senhor? De maneira nenhuma, porque após a queda de satanás e dos anjos que o seguiram, os anjos do Senhor foram selados (1 tm 5.21) e já não podem mais pecar. A maior prova disso, é que o Senhor colocou na porta do Éden querubins para guardar o caminho da árvore da vida do homem sujo pelo pecado (Gn3.24). Deus não seria incoerente de colocar tal responsabilidade sobre os ombros de quem não pudesse sustentá-la, guardá-la.

Você pode me perguntar: mas Deus não sabia que Adão e Eva pecariam? Sim, sabia. Mas, o homem é a coroa da criação de Deus,  a Sua imagem e semelhança. Deus não criou robôs, por isso Ele dá o direito ao homem de escolher a benção ou a maldição. Do contrário, o homem não seria semelhança de Deus, já que O Senhor tem suas vontades e planos soberanos. Semelhantemente, o homem, embora não autônomos. Os anjos não. Estes  foram selados para obedecer as ordens de Deus em tudo, sem questionamentos, apenas para servir e cuidar daqueles que hão de herdar a salvação (Hb 1.14).

Se o homem não pode julgar aos anjos do Senhor, poderia julgar a satanás e a seus anjos? Não porque estes já estão julgados (Jo 16.17; Lc 10.18; Hb 2.14). Mas então, a quem os salvos julgarão? Aos anjos que pecaram e se arrependeram.

Estes anjos estão sob custódia, aguardando julgamento. O Senhor não os perdoou, mas permitiu que fossem julgados por nós, os salvos. Eles estão presos nas cadeias da escuridão (2 Pe 2.4; Jd 6), porque deixaram seu principado, a sua atribuição, desprezando também a sua habitação, pela sedução de satanás, que levou um terço dos anjos dos céus (Apocalipse 12.4a).

Não nos esqueçamos que satanás era perfeito em formosura, querubim ungido para proteger e, extremamente sedutor, sábio e inteligente. Lúcifer, o que traz a luz, desenvolveu tão bem as suas atribuições e era tão perfeito em seus caminhos, que julgou ser maior do que Deus; queria colocar seu trono sobre o de Deus; achou que tinha maior importância do que o Criador (Ez 28.4-6; Is 14.12-15). E aí, veio a sua queda, e nessa, muitos arrependeram-se e estão em cadeias aguardando julgamento.


Mas, por que os anjos rebeldes se arrependeram?


Porque aqueles que foram fiéis a Deus foram selados (1 tm 5.21), já não podem morrer (Lc 20.35,36) e, não estão limitados a tempo e espaço. Alguns dos rebeldes estão presos, outros têm sua ação limitada à terra.

Aqui cabe um parênteses: a Angeologia diz que um anjo é 185.000 vezes mais poderoso do que um homem. Teoricamente, se estivermos falando de um querubim, multiplique por 7 e, se de um serafim por 49 vezes. Em sendo verdadeira essa proporção, a maior derrota e humilhação de satanás e seus anjos é ser derrotado e destronado por homens que são feitos do pó da terra. Eles são obrigados a rastejar no pó; eles são obrigados a se submeter a nós, pelo poder de Jesus Cristo, que nos transferiu essa autoridade (Lucas 10.19).

Como consequência de sua fidelidade, os anjos fiéis receberam graça suficiente para habilitá-los a manter sua posição de perseverança, pela qual foram confirmados em sua condição e agora são incapazes de pecar, logo não podem morrer. Sua atividade mais elevada é a adoração a Deus (Ne 9.6; Fp 2.9-11; Hb 1.6; Jó 38.7; Is 6.3; Sl 103.20; 148.2; Ap 5.11).

Lançadas foram aqui as bases de um edificante debate; que o Espírito Santo tome a direção de nossos corações em cresçamos em estatura, graça e conhecimento diante de Deus e dos homens.

Com amor,
Washington Santos.